Ex-secretário de turismo de Canavieiras fala ao Sul Bahia Notícias

Em um bate papo, durante visita à capital do Estado, Fernando Volpi falou sobre sua passagem à frente do turismo de Canavieiras, seu mandato como presidente da Câmara do Turismo da Costa do Cacau, e nos fez revelações surpreendentes, em relação à sua atuação política em 2020.

Desde menino sempre procurei tirar o melhor proveito das oportunidades que Deus colocava diante de meu discernimento e foi assim que superei muitas dificuldades até me estabilizar nesta primeira plataforma rumo a minha ascensão profissional. Portanto,  não podia deixar de auferir dividendos do casual encontro com Fernando Volpi em recente seminário realizado em Salvador sobre o tema “Gestão de Oportunidades”. 

Afinal, eu não estava apenas diante de uma oportunidade. Eu estava diante de uma inesgotável fonte de informações, de um  polêmico ex-agente público e político do governo emedebista de Canavieiras de 2013 a 2016 cuja atuação até hoje suscita comentários que vão de elogios a críticas ácidas em proporções que lhe são justas e favoráveis.  Não há um único canavieirense que não se lembre de Fernando Volpi com algo a acrescentar, a revelar, a desabafar, a descarregar, a surpreender e, sobretudo a agradecer. Ele afirma que “foi um polvo num aquário de carpas coloridas entre avulsas e ariscas tainhas cintilantes e –  por que não dizer ? – algumas traíras extraviadas de seu habitat”. 

A entrevista com Fernando Volpi, ex-secretário de Turismo do Governo Almir Melo e ex-presidente da Câmara de Turismo Costa do Cacau num polêmico mandato tampão, aconteceu na manhã seguinte no hotel onde se hospedara em Ondina,   aqui reproduzida na íntegra e pré-autorizada também na íntegra e sem revisão pelo entrevistado.

Anderson Souza – Jornalista

Sul Bahia Notícias: Fernando Volpi, primeiramente, obrigado por nos conceder essa entrevista, mas eu gostaria de começar relembrando um fato que agitou as redes sociais aqui em nossa região nos últimos dias. Recentemente, através de uma rede social, o atual prefeito de Canavieiras o taxou de “oportunista”, porém fontes seguras nos revelaram que em 2016, quando você ainda era Secretário de Turismo de Canavieiras na gestão Almir Mello, o prefeito eleito para o quadriênio 2017/2020 o convidou par assumir um cargo em sua equipe e não necessariamente na pasta de turismo já negociada com setores da aliança vitoriosa e até então ainda inabalada. Qual seria essa nova pasta ou esse novo cargo e como se deu esse convite de certa forma prematuro e antes mesmo da formação da equipe de transição?

Fernando Volpi: Veja bem, caro amigo e colega, o convite me foi apresentado pelo prefeito eleito no dia 16 de outubro de 2016 no lounge do Hotel Praia do Sol, em Ilhéus, onde eu sempre me hospedava e onde instalei meu gabinete avançado considerando a conexão estável de internet e as facilidades como ponto de partida para os vários eventos regionais no interesse da gestão. A honrosa indicação para a equipe futura partiu da Dra. Therezinha Niella, ela que sabia de minhas providências pretéritas quanto à reativação da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Canavieiras e também pela requalificação do casario e dos becos no entorno do sitio histórico de modo a atrair para o emblemático bairro novos empreendedores e assim revitalizar o importante point.  Conversamos serenamente e com otimismo realista quanto ao salto olímpico que ele pretendia e talvez ainda pretenda dar para alavancar o desenvolvimento do município. Foi exatamente essa a denominação da pasta: Secretaria ou Assessoria de Desenvolvimento Sustentável e Relações Institucionais (não se tratavam de Relações Governamentais).  Naquela mesma manhã conversamos sobre a Usina Coque Fibras e sobre a importância de sua reinstalação em Canavieiras uma vez que isso atrairia a atenção das instituições ambientais e até mesmo de outros empreendedores da indústria da reciclagem de resíduos sólidos como as famigeradas garrafas de plástico, entre outros.  Nada ficou pactuado naquele encontro além da possibilidade de outros encontros dos quais poderiam emergir sólidos argumentos para a criação do cargo. Apenas me pediu que lhe enviasse uma proposta ou um projeto especificando o campo de atuação que, segundo ele, teria que ser predominantemente externo.  E foi exatamente neste momento que revelei ao meu interlocutor que continuaria abrindo mão de diárias e de outras benesses oficiais para o exercício de minhas novas funções se fossem confirmadas, ao que ele respondeu que “não seria justo” (sic). Na verdade, eu pretendia veladamente desencadear efeito dominó e motivar que os demais secretários e assessores também abrissem mão de suas diárias, a exemplo do que foi praticado em centenas de outros municípios decadentes.  



SBN: E você chegou a encaminhar a proposta? Pode resumir aqui e agora quais seriam as suas atribuições? Estariam ligadas de alguma maneira ao turismo?


FV: Na verdade, antes mesmo de elaborar a proposta, assim que cheguei em Canavieiras no dia seguinte ao encontro,  fui ao gabinete e informei pessoalmente ao prefeito que o convite me fora formulado mas que nada ainda tinha se configurado porquanto a conversa foi informal e até mesmo sob clima de insegurança mútua e  de desconfiança tática. O prefeito Almir Mello não emitiu nenhuma opinião a respeito e se limitou a enfatizar que “o cargo não existe” (sic).   Naquela mesma semana foi o próprio prefeito eleito que imprudentemente tornou público o convite, enquanto falava aos participantes de um ágape com comerciantes do sitio histórico gerando perplexidade geral e revelando com isso pouca experiência ou inabilidade política.  Em outras palavras: gerou oposição ao fato antes do fato consumado.  Até aquele momento a sua aliança com os talibãs estava nas condições normais de temperatura e pressão. Qualquer adição de elementos não previstos na fórmula ou na bula original poderia geral explosão.  E gerou.  Ao mesmo tempo em que encaminhava para o prefeito eleito uma proposta de desenvolvimento sustentável surgiam focos isolados de palpites, conselhos e até de ameaças 

veladas para que a contratação não se confirmasse.  Sabedor dessa ferveção subterrânea como lava de um vulcão até então adormecido, adormeci com o convite carinhosamente guardado e esquecido numa gaveta sem chave, sem segredo e sem câmeras disfarçadas. Tudo já estava público demais. 

Fernando Volpi durante remada no Rio Pardo

Na verdade, eu continuaria em 2017 a fazer o que vinha fazendo desde 2013: representar os interesses do município enquanto candidato a destino turístico, nos principais eventos do setor e também em outros eventos especificamente de desenvolvimento sustentável, atraindo interesse de instituições e de empreendedores para o que de melhor a cidade tem a oferecer. Daria mais ênfase às ações de recuperação de imagem junto aos centros emissores investido de uma legitimidade mais elástica. Ou seja: continuaria itinerante, tendo na bagagem elementos bem mais consistentes para destruir argumentos exteriores negativos sedimentados na imagem da cidade como consequência de desmandos e descasos anteriores tanto dos gestores públicos como por parte de muitos agentes do trade local que se sentem acima de qualquer possibilidade de capacitação e de qualificação. O trade se reunia muito para chás da tarde e showzinhos patéticos, mas agia pouco.

SBN: Você recebeu de muitos setores da sociedade de Canavieiras o apelido de “Embaixador de Canavieiras”.  A que você atribui esse título que até hoje faz parte das rodas de papos?  Não lhe parece sarcástico?

FV: Não.  Não me soa como sarcasmo.  Esse título carinhoso em tom de apelido surgiu com as pessoas que me seguiam desde o Orkut entre 2008 e 2011 quando estive em Canavieiras para criar condições de implantar uma ONG voltada para a captação de prováveis talentos até então desperdiçados e não desenvolvidos por diferentes motivos e causas,  como drogas, prostituição,  desemprego,  violência doméstica etc.  Na época eu tinha um aliado crítico secreto, Dr. Otoniel Cassimiro,  e meu escritório era ali no pontocom, quase em frente ao escritório do advogado e vereador.  No Orkut eu sempre divulguei dentro do possível (já que o aplicativo era bem limitado) a beleza da cidade e da região, sua potencialidade turística, a riqueza do seu artesanato, sua cultura e já alfinetava quanto ao casario abandonado e desmoronando, e também quanto à especulação imobiliária sob comando de euros e dólares. Poucos eram os novos proprietários que restauravam os imóveis, como por exemplo fez o casal Sutter.  Mas foi como secretário do Almir que o “embaixador” se consolidou quando decidi impulsionar no facebook a exuberante beleza dessa região horizontal entre o mar e a mata. Numa entrevista concedida a você na fm local eu afirmei, em 2014, que dedicaria 70% de meu tempo e de meus ganhos como secretário na divulgação presencial da cidade já que a conexão lá era insuportavelmente lenta, e isso exigiria percorrer todas as regiões estratégicas que poderiam emitir ou voltar a emitir para o destino Canavieiras. Os resultados desses incontáveis encontros e reuniões eram postados em tempo real no facebook e talvez por isso o “embaixador” tomou mais corpo. Decidi não pleitear carro, diárias, reembolsos, combustível e outras benesses oficiais quando percebi que muitos eventos oficiais em cidades distantes eram inócuos, vazios, um jogo de palavras técnicas e ajustadas como peças de um quebra-cabeça, inclusive os fóruns estaduais e os salões de turismo cujos resultados das rodadas de negócios eram mínimos. Comprei um carro, abastecia no posto da oposição por motivos óbvios, comprava os itens do kit setur (presentes para os contatos) e cobria todas as despesas com os R$ 3.780,00 que sobravam após os descontos. Foram 68 mil quilômetros rodados em dois carros só na Bahia, e muitos outros rodados em veículos alugados em outros Estados. 

Um dos veículos utilizados na divulgação de Canavieiras

 Instituí uma Secretaria viajante e itinerante, mas em órbita perfeita e dentro do eixo no que se referia aos interesses da municipalidade como um todo e não apenas de setores isolados e privilegiados investidos de prerrogativas e nelas viciados. Não fiz parte desse clube privé, raramente ia ao Paço e não participava de reuniões que não tivessem em seu escopo a clara manifestação de um produto concreto e exequível. Fui realmente um embaixador independente estilizado e eloquente portador da expectativa da cidade que agonizava mesmo estando à frente de suas vizinhas melhor situadas, injustificadamente, no mapa das vantagens nem sempre fiéis ao mérito.

Fernando Volpi durante evento de Stand Up Paddle

SBN: No evento de ontem aqui em Salvador você falou sobre senso de oportunidade e que é importante ao gestor público ou privado ficar atento as manifestações dessas oportunidades nem sempre muito perceptíveis.  Pode resumir aqui?

FV: Oportunidade é um fato.  Oportunista é alguém que percebe no fato o caminho ou as ferramentas para atingir suas metas.   Em recente postagem no perfil de terceiros no facebook, o atual prefeito de Canavieiras (cujas ações em sua maioria eu entendo e aprovo) se referiu a mim como um “oportunista que tentou convencê-lo a me contratar” (sic).  Ele acertou ao me chamar de oportunista, mas sem entender muito bem a definição positiva do termo, valendo a semântica.  Primeiro:  nunca tentei convencê-lo.  Foi o contrário: Dra. Therezinha Niella me convenceu a aceitar o convite que ele formulou e manteve stand by até fevereiro de 2017 quando fui ao seu gabinete com o empresário Genilson Nascimento para definir a instalação da Coque Fibras em terreno cedido pela prefeitura (cedido,  não doado). Foi nessa reunião que percebi ser inviável ingressar na equipe até porque naquela altura os rumores denunciavam que os elos da aliança da vitória já estavam rompidos sob forte tensão pra todo lado. Afinal, eu servi a um governo coeso, embora autocrata, e não me sentiria bem num governo com rachaduras irreversíveis e comando compartilhado entre cortinas de fumaça.  Cabe destacar que ainda em 2016 eu afirmara a alguns empresários da cidade que não poderia aceitar o honroso convite porque estaria politicamente paralisado e a deriva num cargo que iria requerer muita estabilidade e direção bem definida.  Portanto, meu senso de oportunidade – que faz de mim um oportunista atento – me facilitou perceber o terreno minado no qual pisaria e, concordando com o prefeito, bati em retirada e considerei o assunto encerrado, dirigindo minha atenção para a outra oportunidade que se insinuava sedutoramente.  Muita gente afirma que alguém é oportunista quando assume disfarces para auferir vantagens pessoais.  Isso não é ser oportunista.  É ser tartufo, um cabotino tartufo. O oportunista percebe oportunidades de executar o que estava até então impossibilitado e se concentra nela não como tábua de salvação, mas como instrumento de transposição do planejamento para a ação concreta.  Qualquer gestor público que tiver apurado seu senso de oportunidade certamente alcançará excelentes resultados não originalmente previstos, tornando-se um bom estrategista, como, aliás, fez o próprio prefeito ao se aliar em 2016 ao único homem capaz de vencer as eleições.  Isso foi oportunismo em sua mais legítima tradução, como a minha atitude, aliás, quando vi na primeira proposta do futuro gestor a possibilidade de dar continuidade ao meu trabalho de reerguimento da cidade e de captação de investimentos para melhor qualidade de vida para a comunidade. E sem onerar os cofres públicos.  Minha assessoria não geraria despesas. Ao contrário, atrairia novas oportunidades como bom oportunista que sou definindo como oportunista a pessoa que aproveita as oportunidades, mas não necessariamente a qualquer preço e sem trair suas convicções e suas alianças pretéritas.

SBN: Como estão suas relações com o prefeito, com a comunidade e com os contatos anteriormente alinhavados? Houve interrupção?

FV: Creio que você quer saber se rompi com Canavieiras.  Não, não rompi.  Ao contrário, sempre e quase diariamente estou postando e reeditando velhas postagens sobre a cidade e suas delícias, seus atrativos, sobre as atitudes positivas e construtivas de alguns empreendedores, sobre os talentos e sobre os valores autóctones ainda não suficientemente resgatados e prestigiados. Continuo alfinetando almofadinhas e cabotinos para que saiam do bairrismo e cedam espaço aos novos valores que emergem em seu próprio meio e àqueles que chegam à cidade para somar. Fico feliz quando constato que o prefeito executa aquilo que sempre desejei executar na área cultural, valorizando e apoiando projetos de inclusão social através da arte.  Mas vejo com apreensão o excesso de festas populares que nada acrescentam ao turismo, até porque a vocação turística da região não é para grandes eventos barulhentos e está mais adstrita ao turismo ecológico, de aventura, esportivo, cultural e de lazer saudável.  Esse é o perfil.  Não adianta fantasiar, mascarar ou improvisar. Ficaria mais feliz ainda se ações administrativamente mais contundentes fossem implementadas para um desenvolvimento real e progressivo, permanente, focando, sobretudo na maior qualidade de vida com geração de emprego e a capacitação da mão de obra para prestação de serviços não meramente sazonais, mas permanentes. Instituições para isso não faltam, inclusive uma sediada na cidade. Ainda dentro de sua pergunta permita-me o colega ressaltar que me mantenho plugado à comunidade em diferentes canais de relacionamento e com a maioria de meus contatos anteriores além da Ilha. Não houve interrupção, não houve rompimento de liames.  Ao contrário,  alguns laços anteriormente frágeis foram fortalecidos e até consolidados não apenas para continuar atendendo aos apelos que me alcançam direta ou indiretamente,  mas também e principalmente tendo em vista 2020 quando,  dentro deste cenário de mudanças surpreendentes e inovações ousadas  no cenário político,  poderei modestamente apoiar um candidato que sinalize para a cidade como uma LUZ no fim do túnel e em sentido contrário a  alguns setores da sociedade sedimentados na mamata com verbas públicas.  Vou apoiar o candidato que se comprometer a valorizar os funcionários efetivos altamente capacitados ao invés de nomear comissionados como premiação por serviços prestados na campanha. Vou apoiar o prefeito que for oportunista no melhor sentido do termo, que se agarre às oportunidades esperando resultados positivos para a coletividade e não apenas para um nicho composto de colaboradores convenientemente egressos de diferentes correntes (valendo o trocadilho) políticas e de capacitação duvidosa. Ainda dentro de sua pergunta: não tenho relações com o prefeito diretamente, mas acompanho, com otimismo analítico, através de postagens públicas de amigos em comum, suas ações dentro do que considera prioritário, e me parece que a comunidade tem aprovado.  Aqui fora, pelo menos, só ouço opiniões de aprovação até mesmo para projetos ainda não concluídos. 

Não houve interrupção em meus liames com Canavieiras embora não a visite desde fevereiro de 2017.  Estive em Ilhéus muitas vezes mas para compromissos do tipo bate e volta e,  naturalmente,  para alguns momentos no meu querido Barrakitica. Geralmente sigo viagem sem pegar a BA-001 ao sul como centenas de vezes fiz em passado recente. Mas irei após a inauguração do aeroporto de Canavieiras evitando assim os buracos da rodovia abandonada. Continuo admirando a beleza da cidade pela janela do avião a milhares de pés de altitude, mas com o coração beirando o Rio Pardo lado a lado com os corações dos que me são caros. E sempre serão a despeito de tudo… ou de quase nada.

SBN: Para encerrar, como você vê os resultados,  hoje,  de sua semeadura naquele período?

FV: Meu caro amigo, eu semeava tâmaras, sozinho, com apoio pessoal e único do prefeito que me outorgou liberdade necessária para um trabalho adequado às circunstâncias. Eu não podia ficar preso à agenda oficial de reuniões e despachos semanais e muito menos esperando parcerias de um trade dividido politicamente. Também não podia perder tempo com  seminários e congressos nos quais a conclusão mais clara sempre era a de que caranguejo não tem pescoço. Ou seja: a gente entra no evento e sai após ouvir o que já sabia. O famoso “deja vu” que aliás foi tema de um artigo publicado no Tabu.  Em meus encontros com Tyrone – crítico opositor ao governo – eu sempre enfatizava (e ele concordava) que Canavieiras não precisa de Secretário de Turismo.  Ela precisa de um Conselho Municipal de Turismo atuante e fiscalizador, e de um trade movido pelo consenso (e não por divisões internas ou setoriais). Como eu não entrevi nesse cenário uma mobilização consensual e muito menos uma disposição em contribuir apoliticamente optei pelo trabalho de formiguinha a procura de outras formiguinhas com as quais eu pudesse constituir um formigueiro de parcerias indiferentes ao que acontecia nas cavernas subterrâneas do meu formigueiro de origem no qual a formiga rainha me apontou o cetro e exclamou: Ide e Cumpri vossa missão. E aí tudo começou: eu lá na frente e atrás, bem lá atrás, a polêmica (risos). Como disse: Canavieiras, de tão singular, de tão especialmente beneficiada pela natureza, com sua geografia fantástica, com dois deltas sedutores e canais que disputam a atenção dos moradores e dos turistas em diferentes graus, com seus produtos naturais, sua fauna,  sua flora,  sua gastronomia, com tudo isso ela dispensa secretário de turismo. Ela só precisa ser divulgada e ao mesmo tempo ser preparada adequadamente para receber demandas espontaneamente geradas pela divulgação. Só o trade turístico local tem condições para atrair a atenção dos centros emissores com ações avançadas bem longe da ilha. O oportunismo estratégico e não político deve predominar no planejamento das ações. Ao semear no trabalho de ‘formiguinha’ eu me inspirei no livro de William Douglas e Davi Lago que ressalta a importância da iniciativa para o trabalho. Eu não podia ficar esperando,  tinha um dever a cumprir fora da ilha já que na ilha pouco ou quase nada eu poderia fazer. Por outro lado, nunca concordaria em receber um salário razoável para os padrões da cidade sem nada fazer em retribuição. Decidi aplicar na ação os recursos que o governo depositava mensalmente (e sem atraso) em minha conta cujos limites eram sempre estourados já que o recebido não cobria todas as despesas. Eu não vivia da Prefeitura mas vivia muito para ela e para a comunidade como um todo sem considerar posições partidárias e tendências políticas. E ainda contribuía em ações sociais.

Dentro de sua pergunta: Ainda não vejo tâmaras suficientes para uma ceia de natal,  mas vejo pipocar em vários setores da sociedade os frutos de minha semeadura. Aí estão os esportes náuticos como exemplo bem eloquente, além da atenção ora dirigida para o turismo no meio rural.  Gostaria de ver o porto revitalizado,  o casario dos becos ocupados pelo artesanato e por centros culturais,  comércio de produtos da agricultura familiar,  a pimenta da Fafá, as criações da Jana e do Manoel, da Carla e de tantos outros artistas plásticos e artesãos da cidade com suas criações icônicas.

Sempre digo que eu não era secretário mas um influenciador com métodos pouco ortodoxos e alfinetadas certeiras. E,  evidentemente,  as carapuças bem moldadas para cabeças com pouco conteúdo encefálico.  As tâmaras estão brotando e em breve Canavieiras terá sua posição consolidada como destino turístico desde que o trade

(que é permanente) e não apenas o governo (que é transitório) cumpra dentro de um consenso cidadão as suas funções como formigas de um mesmo formigueiro em busca das provisões que garantirão o seu futuro.  

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